Nas minhas pesquisas por arquivos históricos, cruzei-me com uma notícia que mostra um lado menos conhecido da nossa vila de Caldelas. Estamos habituados à paz e ao descanso das termas, mas em setembro de 1909, os ânimos parecem ter estado bastante exaltados.
Encontrei um telegrama publicado no Jornal do Brasil que relata uma situação de grande tensão social. É fascinante ver como um descontentamento local teve eco do outro lado do oceano, no Rio de Janeiro.
Transcrição da notícia:
ASSALTO A UM ESTABELECIMENTO THERMAL
Lisboa, 25 (D). — Consta aqui que o povo de Amares, descontente com a direcção do hotel de Caldellas, proprietário de um estabelecimento thermal muito afamado, projecta assaltar aquele edifício.
JÁ foram dadas providencias para evitar quaisquer violencias.
O que este registo nos ensina
Embora a notícia mencione "o povo de Amares", percebemos que o foco do descontentamento era a gestão do Hotel de Caldelas e do seu já na altura "afamado" estabelecimento termal.
Este pequeno texto diz-nos muito sobre a importância que as nossas termas já tinham no início do século XX e, acima de tudo, sobre a fibra e a união das gentes da nossa terra. Imagine-se o que terá levado a tamanha indignação, ao ponto de o exército ou as autoridades terem de tomar providências para evitar o assalto ao edifício.
Estes recortes são peças de um puzzle que nos ajudam a reconstruir a alma dos sítios. Caldelas pode ser hoje um refúgio de serenidade, mas o seu povo sempre soube lutar por aquilo em que acredita.
Alguém conhece mais detalhes sobre este episódio ou ouviu histórias passadas de geração em geração sobre esta "confusão" no Hotel?
Link do jornal: http://memoria.bn.gov.br/docreader/030015_02/34581

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