12 de outubro de 2014

Nobel da Paz - Malala Yousufzai e o indiano Kailash Satyarthi

Vou voltar a publicar coisas que acho interessantes aqui no blog diariamente, são posts que escrevo quando tenho tempo e ficam agendados para vos manter informadas. Tinha obrigatoriamente de começar pelos prémios Nobel deste ano, para mim um dos mais especiais é o da paz, penso que este ano foi extremamente bem atribuído.




Malala Yousufzai tornou-se conhecida pela sua defesa do direito à educação em todo o mundo. Em 2013, a paquistanesa de 17 anos. Tornou-se a pessoa mais jovem vencedora do Prémio Nobel.


Em 2012, fez esta quinta-feira dois anos ela sofreu um atentado por um grupo de talibans que controlava a região paquistanesa onde vivia. Ela sobreviveu e tornou-se uma das vozes mais ouvidas na área dos direitos das crianças à educação.
O dia 12 de Julho, data do seu aniversário, foi baptizado pela ONU como o “Dia de Malala”. Há um ano foi publicada a sua biografia, Eu Malala, que infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler, e vocês já leram?




O segundo prémio foi atribuido a um activista dos direitos das crianças: Kailash Satyarthi, 60 anos, abandonou uma carreira de engenheiro electrónico para se dedicar à luta contra o trabalho infantil nos anos 1980. A organização que fundou, Bachpan Bachao Andolan, já conseguiu retirar perto de 80 mil crianças do trabalho escravo, conseguindo devolvê-las à educação e ajudar na sua reintegração.





O activista agradeceu o prémio, que representa o "reconhecimento da dor que milhões de crianças sofrem", em declarações à agência Press Trust of India.


Satyarthi é o promotor de vários movimentos da sociedade civil, incluindo o maior dedicado a este tema, a Marcha Global contra o Trabalho Infantil, que une organizações não-governamentais, sindicatos de professores e de comércio de todo o mundo (2000 grupos em 140 países). Também fundou a Campanha Global pela Educação, que visa combater a crise global na área.


Na Índia, promoveu acções para tornar a educação num artigo constitucional. Na sequência disso, em 2009, foi aprovado no seu país a Lei do Direito à Educação Gratuita e Obrigatória. Outras leis foram entretanto aprovadas, mas o problema continua a ser a prática, consequência da pobreza e da corrupção (que diminiu as hipóteses de os empregadores serem responsabilizados pelas autoridades), mas também da falta de escolas com boas condições e de professores.


Um primeiro dia de escola chocante
"O meu primeiro dia de escola foi emocionante, mas também foi chocante. Havia uma criança da minha idade a trabalhar à porta da escola com o pai. Perguntei ao meu professor por que é que aquela criança não vinha à escola e ele não respondeu. Falei com o director e ele disse: 'É comum, são crianças pobres'". Quando ganhou coragem e foi falar com o miúdo, este explicou-lhe que toda a sua família tinha começado a trabalhar na infância. "Nós nascemos para trabalhar", disse-lhe.


Ainda jovem, começou a fazer uma revista chamada A luta deve continuar"sobre as pessoas ignoradas e as suas lutas", uma publicação que fazia sozinho e enviava para as autoridades. "Um dia, apareceu-me um homem com 40 e muitos anos, cheio de fome e sede e com umas revistas dessas na mão. Um leitor tinha-lhe dado e dito que me procurasse. Ele contou-me que tinha sido vendido e que durante 17 anos estivera a trabalhar numa fábrica. Fugiu de noite, com a família, porque os patrões queriam vender a filha, de 14, 15 anos a um bordel", recordou, numa conversa à margem da Conferência Europeia sobre Tráfico de Crianças.


Escravos a sair à rua na Índia
Depois desse encontro, Satyarthi foi à fábrica com uns amigos e tentou libertar quem lá vivia. Levaram pancada e não conseguiram nada, mas não desistiram e foram a tribunal, obtendo a libertação de 37 pessoas. "Foi impressionante vê-las chegar à cidade. Algumas nunca tinham visto carros, arranha-céus, semáforos. Algumas, como a filha daquele homem, já tinham nascido dentro da fábrica. E isto foi na Índia, a maior democracia do mundo, em 1980."


“Calcula-se que haja 168 milhões de crianças a trabalhar em todo o mundo actualmente”, disse Jagland. “Em 2000, este número era de 78 milhões. O mundo tem de se aproximar do objectivo de eliminar o trabalho infantil.” A Índia é o país com mais crianças que trabalham: de acordo com a ONG Childine India Foundation, um recenseamento concluiu que este número passou de 11,28 milhões em 1991 para 12,59 em 2001. Os números não param de aumentar: o ano passado, segundo a Unicef, havia 28 milhões de crianças indianas dos 6 aos 14 anos a trabalhar.


A Fundação M.V., de Andhra Pradesh, diz que há 400 mil crianças a trabalhar na apanha do algodão na Índia, a maioria raparigas entre os 7 e os 14 anos; destas, 90% vivem aqui, um dos maiores grandes estados do Sul do país. Em algumas zonas do país, há crianças que continuam a trabalhar nas minas, o que é proibido desde 1952.


São dados impressionantes e que me chocam bastante uma vez que vivo diáriamente com crianças escravizadas/ exploradas, melhor do que muitas pessoas sei o que é isso. 

Gostavam que eu partilhasse convosco fotos de trabalho infantil?

É triste mas não podemos fugir da realidade.



Fonte: Publico

5 comentários:

  1. este é o prémio para todos aqueles que lutam pela paz e pela igualdade do ser humano

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  2. Fiquei mesmo feliz por a Malala ter ganho o Nobel. Li o livro dela e adorei. É uma menina fantástica.

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  3. Bem atríbuido o Nobel da paz, o único caso que se fala muito e já conhecia é o da Malala, impressionante que com 17 anos tenha uma mentalidade assim sobre a educação, que todos deveriamos ter, a menina também passou por muito no país dela. Quanto ao outro caso não tinha conhecimento mas acho de uma força de vontade querer acabar com um problema que atinge todo o mundo e vem sido mencionado em filmes, etc. e também em Portugal, que é o do trabalho infantil, hoje em dia as famílias mais pobres só se sustentam assim e acho fantástico Satyarth estar a combater isso. Gostaria sim de ver as fotos, acho importante que as pessoas vejam e pensem sobre isso.

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